Content

Histórico

A idéia do Desenrola Brasil surgiu em julho de 2004, quando a cidade de Campinas começava a se preparar para as novas eleições. Ao ver a quantidade de dinheiro gasto em propaganda, senti-me enrolada num sistema eleitoral impiedoso, em que prevalecem as condições financeiras dos candidatos e os conchavos. O sistema permite a eleição de pessoas muitas vezes despreparadas para o cargo público e administrativo a que se candidatam e freqüentemente sem compromisso para com a população que os elegeu. Os políticos capazes e bem intencionados pouco podem fazer diante da imensidão de problemas.

Sem dúvida o processo de seleção de nossos governantes ainda está longe de ser satisfatório. É preciso encontrar uma maneira mais moderna, simples, barata e inteligente de escolher pessoas competentes e éticas para administrar o país.

Num destes de muita propaganda eleitoral, ao trocar o rolo de papel higiênico, olhei com interesse para o mecanismo simples que permite que o papel se desenrole e sirva a seus propósitos. Imaginei as milhares de pessoas mundo afora, diariamente desenrolando seus papeis. Vi, com outros olhos, o simples e interessante rolo de papelão reciclável  que normalmente acaba no lixo. Logo o associei à palavra rolo, que significa em linguagem corrente problema, confusão.

Alguns dias depois, curiosa para saber como era feito esse rolo, coloquei-o de molho na água para ver o que acontecia.Desenrolou-se facilmente, em duas folhas de papel parecidas com losangos.  Hoje estas folhas são chamadas de ‘desenrolados’ e são a base de nosso trabalho.

Nosso trabalho é incentivar as pessoas para examinar do que são feitos os problemas, os rolos. Descobrir seu papel no rolo.

Acredita-se que somente ações complexas e grandiosas podem surtir algum efeito, no entanto, se a maior parte de nós utilizar um centésimo do tempo gasto em cuidados pessoais para cuidar do bem comum, que afinal, também nos interessa, iremos atingir grandes metas com pequenas ações.

Sinto-me enrolada sim, diante de tantos problemas, mas a qualquer momento posso escolher  desenrolar. Tenho poder como cidadã, eleitora, consumidora e pagadora de impostos.

Posso me unir ao poder público ao invés de me manter separada, reclamando do que ainda falta fazer.

Posso apoiar as centenas de organizações não-governamentais que estão trabalhando incansavelmente por um país melhor.

Posso ler jornal e ouvir o noticiário com olhar critico e disposto.

Posso aprender a votar com mais cuidado.

Posso comprar produtos de empresas atentas ao desenvolvimento sustentável e à responsabilidade social...etc.

Podemos como uma manifestação pacífica de algum anseio, juntar num determinado dia, milhares de rolos de papelão em praça pública para que sejam recolhidos para reciclagem.      

    Rolos crus muitos

Serão recolhidos e transformados em coisa nova.

O nome do movimento era Chega de Rolo. Foi apresentado em Praça Pública no dia 1 de janeiro 2005, dia da posse do governo municipal. Levamos uma cadeira de rolos feita pela artista plástica Elza Cencig com um cartaz: “Reclamar é fácil. Difícil é trabalhar para um país melhor, tendo que enfrentar tantos rolos”.

                                         Cristina Mattoso

        

      

 “Tudo é loucura ou sonho no começo. Nada do que o homem fez no mundo teve início de outra maneira – mas já tantos sonhos se realizaram que não temos o direito de duvidar de nenhum.”
                                                                                                   Monteiro Lobato